Vivemos tempos onde os profetas digitais estão em voga. O mercado está tão festivo que já se fala até em uma "nova era", a "era pós-PC"! Pós-PC? Isso mesmo, pós-PC, pós-computadores pessoais, pós-grandes desktop em nossas mesas, pós-grande consumo de energia, pós-enorme número de componentes ecologicamente agressivos…pós-pós!
Mas será que devemos acreditar realmente nesta história? A "nova era" pós-PC, na verdade não é tão nova assim, e já foi proclamada em tempos anteriores (Jonathan Schwartz em 2004 e por David Clark em 1999), mas será que agora é para valer? O assunto voltou a cair na boca do povo depois do keynote de lançamento do iPad2 apresentado por Steve Jobs, que fez uso do termo na tentativa de declarar uma nova revolução! O que podemos dizer é que tanto agora quanto em episódios anteriores, os nossos novos gadgets por mais fantásticos que sejam, nunca matam a computação tradicional.
Sarah Rotman Epps, da Forrester, publicou um artigo apontando quatro características fundamentais compartilhadas por tablets, smartphones e afins, veja abaixo:
• O uso deixa de ser estacionário e passa a ser ubíquo: em vez de o computador ficar na sua mesa, ele fica no seu bolso (ou bolsa).
• Os aparelhos não ficam desligados: em vez de ligar o computador, usá-lo e desligar ao fim, na era “pós-PC” os gadgets estão sempre ligados e podem ser usados a qualquer momento.
• A computação se torna íntima: em vez de ficar a uma braça de distância do conteúdo, smartphones e tablets trazem a tela para bem mais perto do usuário, além de poderem ser usados em situações mais pessoais, como na cama ou deitado no sofá.
• A interação perde uma camada de abstração: em vez de movimentar um cursor, os dedos do usuário “tocam” diretamente o conteúdo.
E então, com isso o que podemos analisar sobre o futuro dos desktops? Será mesmo o fim? E os gamers? Será que vão se contentar com telas pequenas e baixas taxas de FPS? Creio que a declarada nova era pós-PC está aí para que quiser assistir e participar e nos próximos meses, apreciaremos, em gráficos garrafais e declarações efusivas, a fantástica ascensão mercadológica dos tablets e gadgets do gênero.
E então? O PC acabou? Hã? PC? Esqueci!
- "Oswaldo A. Sá Ferreira é instrutor do ensino profissionalizante e apesar de acreditar cegamente na era pós-PC, está louco para por as mãos em um iMac de 27”... enquanto o iPad2 não chega!”
Leia mais: Forrester: a era “pós-PC” é real e está chegando; conheça as quatro características principais dela | MacMagazine
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